O MINISTRO FALHOU, A SUA POLÍTICA FALHOU! A “DIGITALIZAÇÃO” É O EUFEMISMO PARA A DESTRUIÇÃO DO SISTEMA PÚBLICO DE EDUCAÇÃO (VÍDEO)

Ontem pela manhã, o ministro da educação, Fernando Alexandre, garantiu no parlamento que “todas as provas estavam corrigidas e que as notas seriam lançadas”.

Mentiu, mais uma vez!

Afinal há “centenas”, que serão milhares na realidade, de exames que foram classificados como “suspensos”, ou seja, não estavam/estão corrigidos!

O objetivo do ministro era colocar pautas nas escolas a todo o custo e a que horas fossem, para salvar a sua face e voltou a insultar os profissionais de educação à noite em declarações na TV.

Quem paga são os alunos que não sabem o que fazer, seja por terem a sua nota “suspensa” ou porque a nota não corresponde à revisão que fazem do seu exame, aqueles que têm acesso a este.

E já está anunciado que a 2ª fase será feita da mesma forma.

Este processo dos exames é um primeiro grande sintoma da destruição dos organismos do ministério da educação e do desinvestimento na Escola Pública que este governo está a aplicar, chama-lhe “digitalização”, mas há mais e vem aí pior, vejamos alguns exemplos:

1- A nova AGSE é um fantasma, não responde, no dia a dia, como era comum até há um ano, a escolas, diretores, professores, técnicos, assistentes operacionais e técnicos;

2- O concurso para os técnicos superiores continua numa embrulhada monumental, agora são as provas de avaliação psicológica que não foram asseguradas pelo MECI, como tinha prometido, que vão ter de ser feitas pelas escolas. Não assegurando as necessidades destes profissionais que as escolas necessitam;

3- Continua-se a colocar um esforço sobrehumano nos assistentes técnicos para garantirem que a organização administrativa nas escolas responda a todo este caos. No entanto, continuam com salários e condições de trabalho claramente insuficientes continuando o MECI a não demonstrar qualquer vontade política de fazer justiça a estes profissionais;

4- A falta de assistentes operacionais nas escolas continua por se resolver, muitas escolas fecham dias a fio por não terem quem acompanhe os alunos. Apesar das promessas de diagnóstico e resolução dos seus problemas, também para estes profissionais, o MECI não cumpre o prometido;

5- O MECI prepara-se, já na próxima semana, para roubar a Vinculação Dinâmica aos professores e voltar a atirá-los para a precariedade infinita;

6- O MECI prepara-se para retirar os índices remuneratórios, de acordo com o tempo de serviço, aos professores contratados;

7- O MECI prepara-se para desfazer o estatuto da carreira docente, deixando estes de serem um corpo especial, numa retirada de direitos sem precedentes;

8- O MECI prepara-se para acabar com o pouco que resta da democracia e autonomia das escolas, externalizando o Conselho Geral e “digitalizando” a direção das escolas.

O mantra da digitalização e a evocação para a modernidade não é mais que uma cortina de fumo para destruir o serviço público educativo, desumanizando-o, entregando os seus serviços a empresas privadas “amigas” (que assim lucram muitos milhões de euros) e destruindo, de vez, a excelência educativa a que as crianças têm direito.

Aos governantes tem de ser assacada responsabilidade política, não se trata de saber se a política vai mudar ou não, trata-se, no mínimo, do ministro que decidiu esta “digitalização” ser responsabilizado pela sua política que falhou rotundamente e que põe em causa não apenas a tranquilidade e as férias mas sobretudo a vida/futuro de milhares de jovens. Desta forma, e como chegou a prometer, o Ministro da Educação ao alterar sucessivamente o calendário dos exames (e mesmo assim nem sequer foram classificados todos os exames) deve “obviamente” assumir responsabilidades e deve demitir-se ou ser demitido, porque foi chumbado na sua avaliação.

A nenhum de nós seria dada esta complacência perante o tamanho do desastre que está, ainda, a acontecer.

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